Estudo critica processos contra usuários P2P
A estratégia das maiores gravadoras musicais, via ação da Recording Industry Association of América (RIAA), de processar usuários de softwares P2P é alvo de críticas novamente.
Segundo estudo da Eletronic Frontier Fondation (EFF), divulgado na última quinta-feira (03/11), a prática não é a solução para impedir o download de músicas por esses programas, que as gravadoras elegeram como vilões da pirataria por não repassarem sequer o valor dos direitos autorais.
O estudo "RIAA vs People: Two Years Later" (RIAA versus pessoas: Dois anos depois), afirma que os processos não têm efeito sobre o número de downloads, com a ação dos usuários de programas como Grokster, Kazaa e eMule, só crescendo.
Parte do problema é o número de internautas processados. De milhões de usuários desses programas apenas algumas dezenas são listados na leva mensal de processados da associação.
O fator humano também está presente no estudo que afirma que a maioria dos processados não possui condições financeiras de defender-se em um julgamento.
Como exemplos, a EFF cita o caso "de uma mãe solteira de Minnesota que enfrenta processo que exige pagamento de 500 mil dólares por downloads efetuados por sua filha" e de uma "veterana processada por baixar canções que ela já possuía nos formatos tradicionais".
Mas se a prática é considerada negativa e arbitrária, qual seria a solução das gravadoras? Segundo a EFF a resposta seria um esquema voluntário de licenciamento, com o pagamento de taxas mensais aos provedores dos programas ou outros intermediários. O dinheiro seria então repassado aos detentores dos direitos autorais.
Enquanto as gravadoras permanecem resistentes a transição dos formatos de comercializar música, a EFF vê o plano como uma grande oportunidade: "quanto mais pessoas compartilharem canções, mais dinheiro irá para os detentores de direitos autorais, maior será a competição entre os softwares P2P, mais rápida a inovação e desenvolvimento do setor, maior será a liberdade dos fãs de publicarem o que eles pensam a respeito, mais rico será o catalogo de opções".
Além do futuro das vendas do CD, o surgimento de modelos de sucesso de download pago via P2P será peça-chave para que se avance na questão. Recentemente, o programa iMesh inaugurou sua versão paga que cobra assinatura mensal dos usuários para acesso às músicas compartilhadas.
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